Radioamadorismo o que é?

O conceito tem sofrido com o tempo algumas alterações na prática, a ponto das primeira definições nos parecerem hoje já bastante desenquadradas com a realidade.

Os grandes nomes de cientistas ligados às descobertas sobre os fenómenos da rádio e sobre a possibilidade de se transmitir informação à distância sem fios foram os primeiros radioamadores, nomeadamente Hertz, Marconi, Righi, Popov, entre outros.

As primeiras comunicações sem fios estabalecidas através das ondas hertezianas foram feitas pelos radioamadores em telegafia usando o Código Morse. Só viriam a perder essa exclusividade quando as forças armadas e outros organismos estatais ou particulares se aperceberam da utilidade desse meio de comunicação, adoptando-o para seu serviço.

Também as primeiras estações de radiodifusão que possuíam programações com música, informação e os mais variados conteúdos ( que apareceram quando surgiu a telefonia ), eram no início meras  estações de amador que operavam a partir da casa dos escassos curiosos que se debruçavam sobre a técnica de construção de aparelhos de emissão/recepção. Mais tarde, algumas delas começaram a ganhar importância em meios técnicos e humanos e as multidões que aderiam à recepção das suas emissões alertaram os Estados para o poder dessa comunincaçõa de massas. Foi esse o principio da regulamentação e do controle estatal que veio estabelecer a diferença entre o serviço de radio difusão e o serviço de amador.

A forma recente, ( principalmente como hobby ) desenvolveu-se já no século XX.

De algumas centenas de radioamadores existentes no final da I Guerra Mundial, o número de aficcionados teve um súbito crescimento a nível global transformando-se na actual comunidade de largas centenas de milhar de experimentadores e comunicadores unidos pelo interesse comum das comunicações via rádio.

O fascínio por este passatempo está a cativar cada vez mais um tão grande número de cidadãos que muitos engenheiros, militares, técnicos de electrónica, estudantes e mesmo pessoas comuns não ligadas profissionalmente ao campo da electricidade, estão a dar todos os dias, ( sobretudo nos países com melhores condições económicas ), os seus primeiros passos no radioamadorismo.

Actualmente, de uma maneira informal, podemos cada vez mais definir este contigente de pessoas espalhadas pelo globo como radioamadores sendo todos eles cidadãos que cultivam o passatempo de usar uma instalação legalizada  para se comunicarem, exclusivamente movidos por objectivos não comerciais, com outros aficcionados das telecomunicações.

Os radioamadores têm ao longo das últimas décadas sido protagonistas de acções de assombroso humanismo. Em certos países anglófonos um dos termos utilizados para designá-los é mesmo ” ham radio “, que vem da expressão ” help all man ” ( ajudar todos os homens ) à qual se acrescentaria… sem olhar a quem.

De facto, por possuírem meios de comunicações quase infalíveis, muitos destes homens e mulheres têm tido papéis de mérito reconhecidas pelas suas comunidades em casos de crise ou catástrofe natural. Alguns amadores salvam vidas de pessoas através da gestão de comunicações de emergência, outros salvam vidas dando a conhecer à opinião pública relatos de situações de crise e atentados aos Direitos Humanos retractados por colegas que transmitem pedidos de socorro a partir de zonas debaixo de fogo em guerras, campos de concentração ou outros pontos quentes do mundo.

De acordo com os meios técnicos empregues e as restrições das diferentes legislações nacionais, os radioamadores podem comunicar-se num raio de acção que vai da mesma localidade até ao ponto geograficamente mais distante do planeta ( nos antípodas ) e mesmo com uma nave espacial ou estação orbital ( alguns astronautas são radioamadores e algumas missões espaciais tripuladas incluem este tipo de comunicações ).

As formas de comunicação são hoje tão complexas como aliciantes, desde comunicações por intermédio de computadores ( comunicações digitais ), com imagem, através da tradicional telefonia ( uso da voz humana ) e há ainda quem actualmente ainda desfrute da utilização da forma mais antiga de comunicação via rádio… a telegrafia utilizando o código Morse.

As mensagens dos radioamadores  ultrapassam barreiras linguísticas e culturais e podem incluir todas os conteúdos imagináveis dentro dos limites da boa educação, do civismo e das normas dos regulamentos de cada Estado.

Há quem se torne amigo próximo de pessoas com quem se fala do outro lado do mundo. Esses amigos podem nunca vir a estar frente a frente mas às vezes até chegam a combinar um ponto de encontro onde mais tarde se conhecem pessoalmente a milhares de quilómetros de casa.

Embora os princípios fundamentais actualmente sejam sejam a experimentação e a intercomunicação, os radioamadores têm vindo a perder importância relativa em termos de contribuições para o progresso técnico e científico. Há contudo ainda hoje alguns radioamadores que praticam este passatempo à moda antiga e fabricam os seus próprios equipamentos, conseguindo transformar um punhado de componentes electrónicos em aparelhos de telecomunicações, acessórios úteis à sua estação ou vão investigando novas formas para antenas mais eficazes e construindo os seus próprios sistemas irradiantes.

 

Autor: Miguel Andrade CT1ETL